De acordo com Ernesto Kenji Igarashi, que foi coordenador da equipe tática da PF durante a visita do presidente americano George Bush em 2006 e um dos coordenadores da segurança do Papa Francisco em julho de 2013, o risco raramente surge de forma abrupta em operações de segurança institucional, sendo geralmente precedido por sinais discretos de desorganização. Quando esses sinais são ignorados, as situações podem se tornar mais complexas.
A partir dessa leitura, este artigo apresenta como reconhecer os primeiros sinais de desorganização em campo, explorando também a relação entre atenção, coordenação e prevenção. Ao longo do conteúdo, serão discutidos fatores que indicam perda de controle e práticas que ajudam a corrigir desvios ainda em estágio inicial. Leia o artigo completo para saber mais sobre o tema.
Quais são os primeiros sinais de desorganização em campo?
Os primeiros sinais de desorganização costumam surgir de forma sutil, muitas vezes percebidos apenas por meio de pequenas falhas na execução ou na comunicação entre os agentes. Ernesto Kenji Igarashi aponta que atrasos, hesitações e respostas desalinhadas são indícios iniciais de perda de coordenação.
Em muitos casos, esses sinais aparecem antes de qualquer impacto visível na operação, o que exige sensibilidade para identificá-los precocemente. Esse tipo de percepção depende de atenção e experiência acumulada. Mesmo assim, ignorar esses indícios pode permitir que a desorganização se intensifique gradualmente, comprometendo a fluidez das ações e dificultando a correção do problema em estágios mais avançados.
De que forma a comunicação revela falhas iniciais?
A comunicação é um dos primeiros elementos a refletir sinais de desorganização, especialmente quando há ruídos ou inconsistências na troca de informações. Em termos práticos, mensagens incompletas ou mal interpretadas indicam desalinhamento. Esse tipo de falha merece atenção.
Na avaliação de Ernesto Kenji Igarashi, equipes que começam a apresentar falhas na comunicação tendem a perder coordenação progressivamente, o que pode afetar diretamente a execução das ações. Ainda que pequenas falhas sejam comuns, sua repetição pode indicar um problema estrutural que precisa ser corrigido, evitando que o desalinhamento se amplie ao longo da operação.

Quais fatores contribuem para o início da desorganização?
Diversos fatores podem contribuir para o surgimento da desorganização, especialmente em ambientes dinâmicos e de alta pressão. Ernesto Kenji Igarashi explica que o excesso de demandas simultâneas e a falta de priorização podem gerar confusão na execução das ações. Dessa forma, o controle se fragiliza.
Outro ponto relevante envolve a perda de foco dos agentes, que pode ocorrer devido à sobrecarga ou à repetição prolongada de tarefas. Nesse cenário, a atenção se dispersa e aumenta o risco de falhas. Além disso, a ausência de atualização constante das informações pode gerar decisões desalinhadas com o cenário real, ampliando a desorganização ao longo do tempo.
Como a liderança atua na correção desses sinais?
A liderança exerce papel decisivo na identificação e correção dos primeiros sinais de desorganização, especialmente ao monitorar o comportamento da equipe e o andamento da operação. A princípio, cabe ao líder reconhecer rapidamente os desvios e agir de forma preventiva. Esse direcionamento contribui para maior controle.
Segundo Ernesto Kenji Igarashi, líderes que acompanham de forma ativa a execução conseguem intervir antes que a desorganização se consolide, ajustando o ritmo e reforçando a comunicação entre os agentes. Por outro lado, a ausência de intervenção pode permitir que pequenos problemas evoluam para falhas mais graves, comprometendo a operação como um todo.
Antecipação como estratégia para manter o controle operacional
Antecipar sinais de desorganização é uma estratégia fundamental para manter o controle em operações de segurança institucional, pois permite agir antes que falhas se tornem riscos concretos, exigindo atenção contínua, análise criteriosa e capacidade de resposta rápida ao longo da execução. Visto isso, integrar observação, comunicação e liderança possibilita manter a operação estável mesmo diante de sinais iniciais de desalinhamento, fortalecendo a capacidade de resposta e reduzindo a exposição a riscos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

