Como a sociedade civil pode contribuir para a redução do impacto dos lixões a céu aberto?

By Diego Velázquez 5 Min Read
Marcello José Abbud

Marcello José Abbud, empresário e especialista em soluções ambientais, defende que a existência de lixões a céu aberto é uma das maiores chagas da infraestrutura urbana brasileira. Diferente dos aterros sanitários, que possuem sistemas de proteção e controle, os lixões são depósitos irregulares onde o material é descartado sem qualquer critério técnico. 

A erradicação desses locais é um compromisso ético e legal que os municípios precisam assumir imediatamente para garantir a saúde pública e a proteção dos recursos naturais. Além disso, o passivo ambiental acumulado por décadas de descarte incorreto gera danos que muitas vezes são irreversíveis se não houver uma intervenção tecnológica profunda. Continue a leitura para compreender como a inovação e o planejamento estratégico podem transformar áreas degradadas em exemplos de recuperação ambiental e desenvolvimento sustentável.

Quais são as consequências biológicas e sociais dos lixões?

A permanência de lixões impacta a biodiversidade local e a segurança hídrica de toda uma região, uma vez que a ausência de impermeabilização permite que contaminantes alcancem o lençol freático. De acordo com o especialista Marcello José Abbud, a decomposição descontrolada da matéria orgânica libera metano em grandes quantidades, um gás com alto potencial de aquecimento global. Além do dano ecológico, o cenário social é crítico, com pessoas trabalhando em condições insalubres na catação de materiais, o que perpetua ciclos de pobreza e exclusão social em torno do descarte inadequado.

Como a tecnologia ambiental acelera o fechamento dessas áreas?

A solução definitiva para os lixões exige muito mais do que o simples isolamento físico das áreas contaminadas, dependendo da implantação de estruturas capazes de tratar os resíduos de forma inteligente e sustentável. Conforme aponta Marcello José Abbud, a instalação de usinas de tratamento próximas aos antigos lixões permite acelerar o processo de desativação ao oferecer uma destinação imediata e tecnicamente adequada para os resíduos gerados diariamente. 

Marcello José Abbud
Marcello José Abbud

Tecnologias ambientais modernas possibilitam tanto a estabilização dos materiais já acumulados quanto a conversão dos novos rejeitos em energia ou matéria-prima reaproveitável. Dessa forma, evita-se a ampliação contínua do passivo ambiental e cria-se uma solução mais eficiente para os municípios.

Por que o mapeamento geológico da contaminação por chorume é tão importante? 

Para que a erradicação dos lixões ocorra de maneira estruturada, é fundamental seguir um cronograma técnico baseado em monitoramento ambiental, recuperação do solo e implementação de tecnologias de processamento avançado. Entre as principais medidas estão o mapeamento geológico da contaminação por chorume, a captação e aproveitamento energético dos gases gerados, a cobertura técnica do terreno e o uso de sistemas de decomposição termomagnética para tratamento contínuo dos resíduos. 

Além disso, o acompanhamento ambiental pós-fechamento garante maior segurança sanitária e estabilidade da área recuperada. Segundo Marcello José Abbud, soluções modulares e de rápida implementação são decisivas para que os municípios atendam às exigências legais e fortaleçam suas práticas alinhadas aos princípios de ESG e sustentabilidade urbana.

A jornada para a erradicação dos lixões

O fim dos lixões no Brasil é uma etapa indispensável para que o país alcance o patamar de nação desenvolvida em termos de saneamento básico. Sob o ponto de vista de Marcello José Abbud, a tecnologia disponível atualmente já permite que esse desafio seja superado, desde que haja vontade política e investimentos focados em resultados práticos. 

O custo de manter um lixão aberto é infinitamente maior do que o investimento em uma gestão técnica, se considerarmos os danos ambientais e as multas aplicadas. Dessa forma, o caminho para a erradicação passa pela profissionalização do setor e pela adoção de tecnologias inovadoras que valorizem o resíduo.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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