O fortalecimento da regulamentação, o crescimento dos fundos estruturados e a maior exigência dos investidores elevaram a importância da governança para instituições que atuam no mercado financeiro.
Durante muito tempo, a governança foi tratada como um requisito indispensável para atender às normas do mercado de capitais. Hoje, esse cenário mudou. Em um ambiente marcado pelo crescimento do crédito privado, pela expansão dos fundos estruturados e por investidores cada vez mais criteriosos, a qualidade da governança passou a representar um fator estratégico para instituições que buscam credibilidade e sustentabilidade no longo prazo.
Essa transformação acompanha a evolução do próprio mercado. O aumento da complexidade das operações, a diversificação dos instrumentos financeiros e o fortalecimento da regulamentação fizeram com que processos internos, controles operacionais e mecanismos de supervisão deixassem de ser vistos apenas como exigências legais para se tornarem elementos fundamentais na construção da confiança entre empresas, investidores e demais participantes da indústria.
Segundo Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, o amadurecimento do mercado elevou o papel da governança dentro das instituições financeiras.
“O mercado de capitais evoluiu muito nos últimos anos. Hoje, governança não representa apenas conformidade regulatória. Ela passou a ser um componente essencial para garantir transparência, previsibilidade e segurança em operações que envolvem múltiplos participantes.”
Investidores passaram a olhar além da rentabilidade
O crescimento da indústria de fundos e do crédito privado também modificou o perfil dos investidores. Além do potencial de retorno, passaram a ganhar importância fatores relacionados à qualidade dos processos, à estrutura operacional das instituições e à capacidade de administrar riscos ao longo de todo o ciclo das operações.
Essa mudança contribuiu para ampliar a relevância de práticas voltadas à gestão de riscos, segregação de funções, controles internos e monitoramento permanente das estruturas financeiras.
Na avaliação de especialistas, a confiança passou a ser construída não apenas pela qualidade dos ativos, mas também pela solidez da instituição responsável por administrar e acompanhar essas operações.
“Investidores buscam cada vez mais instituições capazes de oferecer processos consistentes, equipes qualificadas e estruturas preparadas para acompanhar a evolução do mercado. A governança passou a fazer parte da análise de qualquer operação relevante”, afirma Balassiano.
Regulação impulsiona uma nova etapa da indústria
A modernização das regras promovida nos últimos anos contribuiu para acelerar esse processo. A Resolução CVM 175 consolidou um novo marco regulatório para a indústria de fundos, ampliando responsabilidades e reforçando a necessidade de controles mais robustos por parte dos participantes do mercado.
Ao mesmo tempo, a expansão de instrumentos como FIDCs, FIPs, CRIs, CRAs e Notas Comerciais elevou a complexidade das operações, exigindo maior integração entre administradores fiduciários, gestores, custodiantes, escrituradores e demais agentes envolvidos.
Nesse contexto, tecnologia, governança e conformidade passaram a caminhar de forma integrada, fortalecendo a infraestrutura que sustenta o mercado de capitais brasileiro.
Crescimento sustentável depende de confiança
À medida que o mercado amplia sua participação no financiamento da economia, especialistas avaliam que a qualidade da governança tende a se tornar um dos principais diferenciais competitivos das instituições financeiras.
Mais do que atender às exigências regulatórias, organizações capazes de combinar processos bem estruturados, tecnologia, transparência e gestão eficiente de riscos estarão mais preparadas para acompanhar a expansão da indústria e responder às expectativas de investidores cada vez mais informados.
“O crescimento do mercado de capitais depende da confiança. E confiança se constrói diariamente por meio de boas práticas de governança, eficiência operacional e compromisso com a transparência. Esse é um caminho que beneficia toda a indústria e fortalece o ambiente de investimentos no Brasil”, conclui Rodrigo Balassiano.

