Lula defende parcerias com a China na cúpula do G7 e reforça papel do Brasil no cenário global

Por Diego Velázquez 4 Min de leitura

O Brasil voltou a ocupar espaço de destaque na diplomacia internacional nesta semana. Convidado para participar da cúpula do G7, realizada na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se posicionou ao lado do presidente do Quênia, William Samoei Ruto, em defesa das parcerias comerciais que países em desenvolvimento mantêm com a China, justamente no momento em que as potências ocidentais intensificam críticas a Pequim.

Brasil rebate preocupações do G7 sobre influência chinesa

Segundo a Agência Brasil, o Brasil e o Quênia saíram em defesa das parcerias que países não desenvolvidos firmam com a China, em meio às críticas dos líderes das potências ocidentais contra Pequim. Um dos documentos produzidos pelo grupo aponta que a economia chinesa estaria desequilibrando o comércio internacional, prejudicando tanto os Estados Unidos quanto a União Europeia. Agência Brasil

De acordo com a reportagem, o documento que trata dos desequilíbrios da economia mundial cita que a China teve superávit de US$ 1,2 trilhão em 2025, com consumo interno cronicamente baixo, o que estaria afetando a balança comercial de americanos e europeus. Agência Brasil

Na resposta dada aos líderes do G7, Lula adotou um tom direto. Conforme registrado pelo Jornal de Brasília, o presidente brasileiro disse aos líderes do grupo que aquilo que eles enxergam como ameaça é visto pelos países em desenvolvimento como uma possibilidade de avanço, destacando que os chineses têm sido os principais investidores na África e na América Latina, enquanto europeus e americanos não têm investido com a mesma intensidade na região. Jornal de Brasília

Outros convidados e o papel do Brasil entre as potências emergentes

O Brasil não esteve sozinho nessa posição. Participaram do encontro, além do país e do Quênia, representantes de outras grandes economias emergentes. Segundo apuração da imprensa, participaram como convidados no encontro, além do Brasil e Quênia, os representantes da Índia, Coreia do Sul e Egito, o que reforça a importância crescente do bloco de países em desenvolvimento nas discussões sobre o futuro do comércio global. Mundo Positivo

Apesar das divergências sobre a relação com a China, o governo brasileiro não ficou de fora de todos os acordos do encontro. O Jornal de Brasília destaca que o Brasil assinou três dos nove documentos firmados pelo G7: o que trata de medidas de combate ao câncer, o de proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais e o de combate ao narcotráfico, já que o texto sobre drogas não associa o tráfico ao terrorismo, evitando, segundo o entendimento do governo, qualquer brecha para intervenções estrangeiras no país. Jornal de Brasília

A resposta de Pequim e os próximos passos

A China não deixou as críticas sem resposta. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, declarou que o G7 deveria observar com seriedade os princípios da economia de mercado e as regras do comércio internacional, e parar de perturbar a ordem comercial internacional com regras criadas por um pequeno grupo. Portal BR230

O episódio reforça uma tendência observada nos últimos anos: o protagonismo crescente do Brasil em fóruns que discutem o equilíbrio entre as grandes potências ocidentais e o eixo formado por economias emergentes. Para o leitor que acompanha a política externa do país, episódios como esse ajudam a entender as alianças que o Brasil vem priorizando às vésperas de um ano eleitoral marcado também por debates sobre soberania econômica e relações comerciais.

Fontes consultadas:

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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