STF vira centro do debate eleitoral de 2026 em meio a pesquisas que mostram queda de confiança

Por Diego Velázquez 5 Min de leitura

A relação entre os Poderes voltou ao topo da agenda política brasileira neste ano eleitoral. Levantamentos recentes do instituto Datafolha mostram um cenário de desgaste crescente para o Supremo Tribunal Federal, justamente no momento em que pré-candidatos à Presidência da República começam a definir suas estratégias para o pleito de outubro.

De acordo com pesquisa divulgada pelo Datafolha, para 75% dos brasileiros, os ministros do STF têm “poder demais”. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre os dias 7 e 9 de abril, por meio de entrevista presencial, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Apesar da percepção negativa sobre o excesso de poder, a maior parte dos entrevistados ainda reconhece a importância institucional da Corte: 71% concordam que a atuação do STF preserva a democracia do país. CNN Brasil + 2

Avaliação do tribunal segue no pior patamar histórico

Outro levantamento do Datafolha, realizado em maio, mostrou que a imagem do Supremo continua mal avaliada pela população. No total, 40% dos entrevistados classificaram o trabalho dos ministros da Corte como regular, e 22% como ruim ou péssimo, segundo a pesquisa feita nos dias 12 e 13 daquele mês. A reportagem do Jornal de Brasília destaca que a avaliação negativa ocorre em meio ao envolvimento de nomes de ministros no escândalo do Banco Master, a críticas sobre penduricalhos salariais no Judiciário e ao debate em torno de uma reforma do Poder. Jornal de BrasíliaJornal de Brasília

O cenário interno da Corte também chama atenção de analistas políticos. Segundo o mesmo levantamento, existe hoje uma divisão entre os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin de um lado, e Edson Fachin e Cármen Lúcia de outro, com diferentes posicionamentos sobre como lidar com a crise de imagem do tribunal. Jornal de Brasília

Pré-candidatos colocam o Supremo no centro do discurso eleitoral

Com a corrida presidencial de 2026 já em andamento, o desgaste do STF junto à opinião pública tem sido explorado por diferentes pré-candidatos. Segundo reportagem da CNN Brasil, nomes que miram o Palácio do Planalto passaram a colocar o Supremo no centro do debate, com propostas que vão da limitação de decisões monocráticas à revisão do modelo de indicação e da duração dos mandatos de ministros. CNN Brasil

A reportagem aponta ainda que o tema ganha força em meio à tensão entre os Poderes, contexto que se consolidou a partir de 2025, com o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, e se intensificou com o envolvimento de ministros da 1ª Turma no chamado “Caso Master”. CNN Brasil

Do lado governista, ministros do STF também reagem publicamente às críticas. De acordo com a CNN Brasil, o ministro Flávio Dino chegou a publicar um artigo defendendo penas mais rigorosas para corrupção de juízes, procuradores, advogados e servidores do sistema de Justiça, argumentando que a confiabilidade do Judiciário é fundamental para a democracia. CNN Brasil

O que esperar para o restante do ano eleitoral

Com a proximidade das eleições gerais de outubro, é provável que o embate entre Congresso, STF e Palácio do Planalto continue pautando o noticiário político nos próximos meses. Questões como a indicação de novos ministros ao Supremo, a tramitação de propostas de reforma do Judiciário e o debate sobre os limites de atuação da Corte tendem a ganhar ainda mais espaço conforme as candidaturas se consolidam e os partidos definem suas alianças.

Para o eleitor, acompanhar esse cenário é importante para entender como cada candidato pretende se posicionar diante de um Judiciário que, segundo as próprias pesquisas de opinião, vive um momento delicado de confiança junto à população brasileira.

Fontes consultadas:

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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