Chuvas deixam desabrigados no Rio Grande do Sul e acendem alerta para o Rio Taquari

Por Diego Velázquez 6 Min de leitura

Defesa Civil confirma dezenas de municípios com danos e reforça orientações de segurança enquanto os temporais seguem avançando pelo estado.

Uma sequência de temporais que atinge o Rio Grande do Sul desde a semana passada já deixou marcas em mais de uma centena de municípios gaúchos. Segundo boletim divulgado pela Defesa Civil do estado nesta quarta-feira, 143 municípios reportaram danos causados pelas inundações dos últimos dias, sem registro de mortes até o momento, mas com 51 pessoas desabrigadas e 155 desalojadas. A pergunta que mobiliza moradores das regiões mais afetadas é direta: a situação tende a piorar, e o que fazer diante do risco de novas enchentes?

O que mostram os números da Defesa Civil

O balanço oficial detalha a natureza dos estragos registrados em todo o estado: foram 84 relatos de chuvas intensas, 58 de vendaval, sete de queda de granizo e oito de inundações confirmadas. Esses números, embora expressivos, representam um retrato parcial de uma situação que segue em desenvolvimento, já que órgãos de monitoramento locais indicam que os municípios continuam atualizando a extensão dos danos à medida que as águas avançam ou recuam.

Reportagens publicadas um dia depois, com base em levantamento mais recente, indicam uma escalada expressiva desses números, com 169 municípios afetados e mais de mil pessoas fora de casa entre desabrigados e desalojados, além de pelo menos 18 rodovias bloqueadas e sete cidades com decreto de emergência. A diferença entre os boletins reforça o caráter dinâmico do episódio, algo comum em eventos climáticos que se estendem por vários dias seguidos.

A gravidade da situação levou moradores de diferentes regiões a relembrar as enchentes de 2024, que devastaram parte do estado e deixaram um número muito maior de vítimas. Autoridades locais já debatem publicamente se os sistemas de alerta usados atualmente conseguem antecipar riscos com a rapidez necessária, um tema que ganhou força justamente por causa da comparação com o episódio anterior.

Ainda assim, a Defesa Civil destaca que o cenário atual, apesar de sério, não se equipara em magnitude ao de dois anos atrás, e que o monitoramento contínuo dos rios da região é a principal ferramenta para evitar que a situação evolua para um desastre de maior escala.

Onde a chuva foi mais intensa e por que o Taquari preocupa

Os volumes de precipitação registrados nas últimas 24 horas ajudam a explicar a extensão dos danos. Paraí liderou o ranking estadual com 200,8 milímetros acumulados, seguido por Marau, com 192 milímetros, André da Rocha, com 180 milímetros, e Passo Fundo, com 178,6 milímetros. Já nas 12 horas mais recentes, os maiores acumulados apareceram em Marcelino Ramos, com 138 milímetros, Paim Filho, com 128,2 milímetros, e Getúlio Vargas, com 119,4 milímetros.

Um dos pontos que mais preocupa a Defesa Civil é o comportamento do Rio Taquari, para onde deságuam diversos afluentes da região atingida pelas chuvas mais recentes. Segundo o órgão, a tendência é que o nível do rio continue subindo nos próximos dias, à medida que a água escoa pelos cursos que alimentam seu leito, o que amplia o risco para cidades ribeirinhas que já convivem historicamente com cheias sazonais.

Equipes do Centro de Monitoramento da Defesa Civil identificaram a elevação do Taquari ainda na terça-feira e já projetavam um cenário mais crítico para as horas seguintes. Esse acompanhamento em tempo real é o que permite à Defesa Civil emitir alertas segmentados por município, evitando que toda a população do estado receba avisos genéricos que poderiam gerar desgaste ou descrédito nos canais oficiais.

As tempestades também avançaram para áreas próximas a Marau e Nova Prata, municípios onde nascem os rios Guaporé, Carreiro e da Prata. Em menos de 12 horas, os acumulados de chuva nessa região ultrapassaram 170 milímetros, volume que motivou o envio de alertas por telefone celular para uma área que reúne 37 municípios distintos.

Orientações de segurança e o que muda nos próximos dias

Diante do cenário, a recomendação da Defesa Civil segue simples e direta: evitar áreas de risco e, em situação de emergência, acionar os números 190 ou 193. Para a região de Cruzeiro do Sul, especificamente, o órgão emitiu um alerta de risco moderado para deslizamentos pontuais, o que exige atenção redobrada de quem mora em encostas ou áreas historicamente instáveis.

O boletim também trouxe orientações práticas sobre como identificar sinais de que um deslizamento de terra pode estar próximo de acontecer, como ruídos ou vibrações incomuns no piso, no telhado ou nas paredes, inclinações repentinas em postes, muros ou árvores, além do surgimento de fendas ou trincas visíveis no terreno. A recomendação, nesses casos, é deixar o local imediatamente e avisar vizinhos e a comunidade do entorno.

Enquanto os órgãos estaduais seguem atualizando os números município a município, a expectativa é que a situação só comece a se estabilizar quando as chuvas perderem intensidade e o nível dos principais rios voltar a recuar. Até lá, moradores das regiões mais expostas seguem orientados a manter atenção constante aos boletins oficiais.

Fontes:
Agência Brasil | Revista Fórum

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