Retomada das negociações ocorre no sétimo dia de paralisação nacional, enquanto empregados da Caixa e representantes da instituição discutem reivindicações e possíveis caminhos para encerrar a greve.
A greve nacional dos empregados da Caixa Econômica Federal chegou ao sétimo dia nesta quarta-feira, 16 de setembro, com a categoria ainda sem previsão de retorno ao trabalho. Mesmo com a paralisação em curso, o banco público voltou à mesa de negociação com os representantes dos trabalhadores em São Paulo, numa tentativa de encerrar um dos movimentos grevistas mais longos enfrentados pela instituição nos últimos anos. A mobilização, iniciada em 10 de setembro, afeta agências em diversos estados e já provocou reflexos perceptíveis no atendimento presencial aos clientes.
O impasse entre a Caixa e os bancários gira, principalmente, em torno do plano de saúde oferecido aos funcionários, o Saúde Caixa. A categoria cobra a retirada de um limite de custeio imposto pela instituição, hoje fixado entre 6% e 6,5%, além da manutenção do chamado pacto intergeracional, modelo que mantém empregados de diferentes faixas etárias dentro da mesma estrutura de assistência. Os trabalhadores também reivindicam avanços no Super Caixa, o programa de remuneração variável do banco, e a ampliação do teto de custeio da saúde suplementar para 8%.
Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a adesão à greve foi expressiva desde o início: no domingo, dia 14, cerca de 95% dos 283 locais de trabalho monitorados pela entidade na capital paulista estavam fechados. Um ato reuniu mais de 700 empregados na Avenida Paulista durante o fim de semana. No Grande ABC, cerca de 700 trabalhadores aderiram ao movimento, enquanto no Pará os funcionários da Caixa e do Banco da Amazônia mantêm paralisação desde 4 de setembro, dias antes mesmo do início da greve nacional.
O que motivou a retomada das negociações
A nova rodada de conversas, marcada para as 10h desta quarta-feira em São Paulo, só ocorreu depois de forte pressão das entidades sindicais. A Confederação Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, a Contraf-CUT, enviou ofício formal ao banco cobrando a reabertura do diálogo e a garantia de que os direitos previstos no Acordo Coletivo de Trabalho seguiriam valendo durante as tratativas. A Caixa concordou com essa chamada ultratividade, o que assegura a continuidade das cláusulas vigentes enquanto a negociação não é concluída.
Em nota, a instituição afirmou acreditar que o diálogo é o melhor caminho para a construção de acordos e disse ter reaberto a mesa em busca de uma solução que preserve os interesses dos empregados, do próprio banco, dos clientes e da sociedade. A Caixa também chegou a cogitar recorrer à Justiça por meio de dissídio coletivo, mas recuou dessa possibilidade diante da mobilização e optou por retomar as tratativas diretamente com o sindicato.
Uma proposta anterior, apresentada pelo banco na semana passada, foi rejeitada pela maioria dos trabalhadores em assembleia encerrada por volta das 23h da última sexta-feira, dia 11. Entre os pontos oferecidos pela Caixa estavam um prêmio de três mil reais por empregado, o pagamento do salário reajustado, da participação nos lucros e do Super Caixa no dia 18 de setembro, além da já citada ampliação parcial do teto de custeio do plano de saúde. A categoria, no entanto, considerou o pacote insuficiente diante das demandas apresentadas.
Impacto no atendimento e situação financeira do banco
Enquanto as negociações avançam, a Caixa orienta seus clientes a priorizarem os canais digitais para evitar transtornos causados pela paralisação. Entre as alternativas recomendadas estão o aplicativo Caixa, o internet banking, o WhatsApp da instituição e os aplicativos específicos como Caixa Tem, Cartões Caixa e Habitação Caixa. O atendimento telefônico segue disponível pelo Alô Caixa, e a rede de caixas eletrônicos, correspondentes bancários e lotéricas continua em funcionamento, ainda que estas últimas não possam receber pagamento de determinadas contas.
Do lado sindical, a categoria argumenta que a Caixa tem condições financeiras de atender às reivindicações sem comprometer sua saúde econômica. Levantamento citado pelas entidades aponta lucro líquido de 7,4 bilhões de reais no primeiro semestre de 2026, número usado como argumento para sustentar que o banco pode prorrogar as cláusulas vigentes sem suprimir direitos já conquistados pelos trabalhadores ao longo de anos de negociação coletiva.
A Convenção Coletiva de Trabalho geral da categoria bancária já havia sido assinada em 9 de setembro, um dia antes do início da greve. O acordo específico da Caixa, porém, permanece pendente, já que trata de cláusulas próprias da instituição que não constam do documento assinado com o conjunto dos bancos. É justamente esse acordo específico, com a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho da Caixa, que está no centro da nova rodada de negociação.
Próximos passos da negociação
Caso a Caixa apresente uma nova proposta ao longo da reunião desta quarta-feira, o conteúdo precisará ser levado novamente para avaliação dos trabalhadores em assembleias realizadas nos estados. Representantes sindicais reforçam que a simples retomada do diálogo não é suficiente: para o presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, Gheorge Vitti Holovatiuk, é fundamental que a direção da Caixa compreenda de fato os pontos de insatisfação da categoria antes de formular uma nova oferta.
A repercussão do movimento também chegou ao Legislativo. Na terça-feira, véspera da nova rodada de negociação, representantes dos bancários acompanharam na Câmara Municipal de Santo André a leitura de uma moção de apoio à greve, além de receberem uma moção de aplauso pela mobilização em defesa dos trabalhadores da instituição. Episódios como esse mostram como o movimento grevista extrapolou o ambiente interno do banco e ganhou visibilidade em diferentes esferas públicas.
Por ora, a paralisação segue sem prazo definido para terminar. O desfecho depende diretamente do resultado da mesa retomada nesta quarta-feira e da avaliação que a categoria fará de qualquer nova proposta apresentada pela Caixa. Enquanto isso, milhões de clientes em todo o país seguem orientados a recorrer aos canais alternativos de atendimento para reduzir os impactos da greve em seu dia a dia bancário.
Fontes:
Caixa retoma negociações com trabalhadores em greve nesta quarta (16)Brasil de FatoGreve de bancários da Caixa entra no 7º dia; veja situaçãoSBT NewsCaixa retoma negociação com sindicato dos bancários para fim da greveDiário do Grande ABCBancários: novas negociações podem por fim à greve hoje (16/09)Diário Online

