Seca se intensifica no Rio Grande do Norte e atinge 79% do território, aponta Monitor de Secas

Por Redação Gazeta Veja 5 Min de leitura

A seca no Rio Grande do Norte atingiu 79% do território potiguar em agosto de 2026, segundo a atualização mais recente do Monitor de Secas. O percentual ficou estável em relação a julho, mas o levantamento registrou piora na intensidade do fenômeno em parte do estado. A área classificada como seca moderada passou de 15% para 25% no período.

Os dados foram divulgados em 21 de setembro pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), com base na comparação entre os mapas de julho e agosto. De acordo com o órgão, o cenário registrado no Rio Grande do Norte foi o mais severo desde abril de 2026.

Área afetada não aumentou, mas a severidade avançou

A manutenção do percentual de 79% não significa que as condições tenham permanecido iguais em todo o estado. O Monitor de Secas avalia tanto a extensão territorial atingida quanto as categorias de intensidade do fenômeno. Por isso, uma área pode continuar dentro do perímetro afetado e, ainda assim, passar para uma classificação mais severa.

No caso potiguar, foi justamente esse movimento que ocorreu entre julho e agosto. Embora a parcela do território com algum nível de seca não tenha aumentado, a seca moderada avançou dez pontos percentuais, passando de 15% para 25%. O indicador mostra uma concentração maior de condições de estiagem mais intensas em determinadas áreas do Rio Grande do Norte.

A ferramenta oficial permite acompanhar a evolução da seca em diferentes escalas. Na plataforma do Monitor de Secas do Brasil, estão disponíveis mapas e informações sobre a distribuição do fenômeno nos estados e municípios monitorados. Esses registros ajudam a diferenciar a presença da seca de sua intensidade e duração.

Nordeste concentra cenário mais severo

O agravamento observado no Rio Grande do Norte ocorre dentro de um quadro regional mais amplo. Em agosto, a seca atingiu 90% da área do Nordeste, que apresentou o cenário mais severo entre as cinco regiões brasileiras acompanhadas pelo levantamento. A região também registrou áreas classificadas como de seca grave, equivalentes a 16% de seu território.

A comparação nacional aponta ainda expansão da área afetada. Considerando os mapas de julho e agosto, a parcela do território brasileiro com registro de seca passou de 52% para 67%. A ANA também informa um cálculo de 61% quando a estimativa é feita com base na área territorial das unidades federativas, o que corresponde a aproximadamente 5,19 milhões de quilômetros quadrados.

As diferenças entre os percentuais decorrem da metodologia utilizada para representar a área monitorada. Por isso, os números devem ser lidos conforme o critério indicado no levantamento. Em todos os casos, o dado central é a ampliação da presença da seca no país entre os dois meses analisados.

Monitoramento apoia planejamento dos municípios

Além dos mapas estaduais e nacionais, o Monitor de Secas passou a disponibilizar recortes municipais com indicadores voltados à intensidade e à persistência do fenômeno. Entre eles estão a Seca Relativa Máxima, a Persistência de Seca Relativa Máxima e a Persistência de Seca por Categoria.

Esses recursos permitem observar não apenas onde a estiagem ocorre, mas também por quanto tempo determinadas condições permanecem em cada município. A informação pode ser utilizada como apoio ao planejamento de políticas públicas relacionadas à gestão dos recursos hídricos, ao abastecimento e às atividades que dependem da disponibilidade de água.

O levantamento não apresenta, na atualização citada, uma relação específica de impactos locais em cada município potiguar. Ainda assim, o avanço da seca moderada reforça a necessidade de acompanhar a evolução dos indicadores e as decisões dos órgãos responsáveis pela gestão hídrica no estado e na região Nordeste.

Para os próximos acompanhamentos, a plataforma da ANA oferece uma referência oficial sobre a mudança das categorias de seca. A análise contínua é importante porque a área afetada e o grau de severidade podem evoluir de maneiras diferentes, como ocorreu no Rio Grande do Norte entre julho e agosto de 2026.

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