Taiza Tosatt Eleoterio, especialista em saúde mental e relações familiares, integra um campo de análise que se debruça sobre uma das formas de abuso emocional mais difíceis de identificar: a violência psicológica dentro dos relacionamentos. Diferente da violência física, que deixa marcas visíveis e é mais facilmente reconhecida como inaceitável, a violência psicológica opera de forma gradual, sutil e frequentemente imperceptível para quem a sofre. Os sinais de abuso, nesses casos, podem ser atribuídos a outras causas, confundidos com características pessoais ou simplesmente ignorados, o que prolonga o sofrimento e dificulta a busca por ajuda.
Nos próximos tópicos, conheça os elementos que ajudam a compreender esse movimento e sua importância no contexto atual.
Como os comportamentos cotidianos podem mascarar a violência psicológica?
Taiza Tosatt Eleoterio frisa que a dificuldade de reconhecer a violência psicológica dentro de um relacionamento abusivo começa pela forma como ela se instala. Ao contrário de um episódio de agressão física, que tem um momento claro de ocorrência, a violência psicológica tende a se construir por meio de comportamentos que, isoladamente, podem parecer insignificantes ou mesmo passíveis de justificativa. Um comentário humilhante apresentado como “brincadeira”, uma crítica sistemática enquadrada como “preocupação”, um controle progressivo descrito como “cuidado” são formas comuns de abuso emocional que raramente são reconhecidas como tal nos primeiros momentos.
A progressividade é uma característica central desse tipo de violência. Os comportamentos abusivos costumam se intensificar de forma gradual, o que permite que o limiar de tolerância da vítima seja deslocado ao longo do tempo. O que no início do relacionamento seria inaceitável vai sendo normalizado por meio de um processo lento de erosão dos próprios referenciais de bem-estar.
Na concepção de Taiza Tosatt Eleoterio, a dificuldade de nomear a violência psicológica como tal é um dos principais obstáculos à busca por apoio. Muitas mulheres que vivem situações de abuso emocional chegam a se questionar se o que sentem tem alguma justificativa, se não estão “exagerando” ou se não seriam elas o problema. Essa dúvida sobre a própria percepção é, em si mesma, frequentemente um efeito da dinâmica abusiva.
Quando é o momento certo de reconhecer comportamentos como sinais de abuso emocional em um relacionamento?
Embora a violência psicológica assuma formas diversas, dependendo do contexto e das pessoas envolvidas, alguns padrões tendem a se repetir com maior frequência e merecem atenção.
A desqualificação sistemática é um deles. Comentários frequentes que diminuem a inteligência, a aparência, as capacidades ou os julgamentos da parceira, especialmente quando ocorrem em privado e sem testemunhas, criam uma percepção de inadequação que vai sendo internalizada ao longo do tempo. O isolamento progressivo de amigos e familiares é outro sinal relevante: quando o parceiro dificulta ou controla os contatos sociais, o resultado é uma dependência crescente que favorece a manutenção do abuso.
O controle sobre decisões cotidianas, o monitoramento constante de atividades e a exigência de justificativas para escolhas que deveriam ser autônomas também podem indicar a presença de abuso emocional dentro de um relacionamento. A oscilação entre momentos de afeto intenso e episódios de humilhação ou frieza calculada é outro padrão frequente que dificulta a tomada de perspectiva por quem está dentro da dinâmica.
Conforme examina Taiza Tosatt Eleoterio, nenhum desses sinais, tomado isoladamente, constitui uma prova de abuso. O que importa é a frequência, a consistência e o impacto sobre o bem-estar emocional da pessoa que os vivencia. Quando esses comportamentos produzem uma sensação persistente de inadequação, de medo ou de perda da própria voz dentro do relacionamento, merecem ser levados a sério.
A autoestima sob ataque: como a violência psicológica distorce a percepção de si
Os efeitos da violência psicológica sobre a saúde mental de quem a sofre são reais e podem ser profundos, ainda que raramente sejam atribuídos à dinâmica do relacionamento pela própria vítima. Ansiedade persistente, insônia, dificuldade de concentração, sensação de vazio, perda de interesse em atividades que antes geravam prazer e um estado de alerta constante são manifestações que podem estar associadas à exposição prolongada ao abuso emocional.
A autoestima é uma das dimensões mais afetadas. A desqualificação sistemática e o isolamento progressivo produzem uma percepção de si mesma que reflete mais as narrativas do agressor do que a realidade da pessoa. Quando alguém ouve repetidamente que é incapaz, inadequada ou que não sobreviveria sem o parceiro, essas mensagens vão sendo incorporadas de formas que afetam a tomada de decisões e a capacidade de imaginar outras possibilidades de vida.
De acordo com o que frisa Taiza Tosatt Eleoterio, a violência psicológica não é menos grave por não deixar marcas físicas visíveis. Seus efeitos sobre a saúde mental podem ser tão significativos quanto os de formas de violência mais evidentes, e o processo de recuperação exige suporte especializado e tempo. Reconhecer essa dimensão é fundamental para que o sofrimento das pessoas que vivem situações de abuso emocional seja levado a sério.
O papel do acompanhamento psicológico no entendimento de dinâmicas relacionais
Reconhecer a presença de abuso emocional em um relacionamento é, frequentemente, um processo gradual que não acontece de uma hora para outra. A dúvida sobre a própria percepção, a esperança de que as coisas mudem e o vínculo afetivo construído ao longo do relacionamento são fatores que tornam esse reconhecimento difícil e, por vezes, doloroso.
A busca por apoio pode começar de diferentes formas: uma conversa com uma pessoa de confiança, o contato com um serviço de orientação, a leitura de informações sobre o tema ou o início de um acompanhamento psicológico. Cada um desses passos tem valor, e nenhum deles precisa ser definitivo para ser significativo. O importante é que a pessoa em sofrimento saiba que não precisa ter certeza absoluta sobre o que está vivendo para buscar ajuda.
Sob a perspectiva de Taiza Tosatt Eleoterio, o acompanhamento psicanalítico pode oferecer um espaço em que é possível explorar as próprias percepções, compreender as dinâmicas do relacionamento e desenvolver maior clareza sobre o que se está vivendo, sem pressão por conclusões imediatas. Esse tipo de suporte respeita o ritmo de cada pessoa e contribui para que a tomada de consciência ocorra de forma mais segura e sustentada.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

