Carcinoma inflamatório, o câncer de mama que imita infecção

Por Olivia Hartvale 5 Min de leitura
Vinicius Rodrigues

O médico radiologista Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues chama atenção para um tipo de câncer de mama que costuma ser confundido com infecção: a mama fica vermelha, inchada e quente, e a primeira hipótese da paciente, e às vezes do próprio atendimento, é uma inflamação comum. O carcinoma inflamatório é raro e atinge com mais frequência mulheres mais jovens do que a média, mas é agressivo, e o tempo perdido com tratamentos que não funcionam pode fazer diferença no prognóstico.

Um câncer sem o nódulo característico

Ao contrário da forma mais conhecida da doença, o carcinoma inflamatório geralmente não forma um nódulo que possa ser sentido ao toque. As células tumorais bloqueiam os vasos linfáticos da pele da mama, o que impede a drenagem do líquido e provoca inchaço e vermelhidão.

Por isso, a doença se manifesta principalmente por alterações visíveis. A ausência de um caroço leva muitas mulheres a descartarem a possibilidade de câncer, justamente porque associam a doença à palpação de um nódulo. A falta de dor intensa ou de febre, comum nas infecções, também pode passar despercebida e atrasar a procura por avaliação especializada.

Os sinais que aparecem na pele

A vermelhidão que ocupa uma parte extensa da mama, geralmente mais de um terço dela, é o sinal mais frequente. A pele fica espessada, quente e pode ganhar aspecto de casca de laranja, com poros dilatados e pequenas depressões. A mama costuma aumentar de tamanho e ficar mais pesada.

Retração do mamilo, sensação de ardor, coceira e linfonodos aumentados na axila também podem estar presentes. Um ponto importante é a velocidade: os sintomas se instalam e pioram em poucas semanas, diferentemente da evolução lenta de outros tumores.

Por que é confundido com mastite

A mastite é uma inflamação comum durante a amamentação e produz sinais muito parecidos, como vermelhidão, dor e calor local. Quando a mulher não está amamentando, porém, a hipótese de mastite deve ser vista com mais cautela. Fora desse período, infecções mamárias são menos frequentes e costumam estar associadas a fatores específicos, como tabagismo, diabetes ou ferimentos no mamilo.

A resposta ao tratamento também ajuda a diferenciar os quadros. Uma infecção costuma melhorar em poucos dias com antibiótico. Segundo Vinicius Rodrigues, vermelhidão e inchaço que persistem após uma ou duas semanas de tratamento adequado precisam ser investigados com exames de imagem e biópsia, sem novas tentativas prolongadas de antibióticos.

Como é feito o diagnóstico

A mamografia e a ultrassonografia mostram espessamento da pele, aumento da densidade da mama e, às vezes, linfonodos alterados na axila. Em alguns casos, a ressonância magnética ajuda a definir a extensão da doença. Os exames de imagem, contudo, não fecham o diagnóstico sozinhos.

A confirmação vem da biópsia, que pode incluir tanto o tecido mamário quanto um pequeno fragmento de pele. Na avaliação de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a combinação entre o quadro clínico característico e a análise do tecido é o que permite diferenciar o carcinoma inflamatório de processos infecciosos com segurança.

Tratamento exige agilidade

O carcinoma inflamatório representa uma pequena parcela dos cânceres de mama, mas é sempre classificado como doença localmente avançada no momento do diagnóstico. Mesmo sem metástases, a doença exige abordagem combinada. O tratamento costuma começar com quimioterapia antes da cirurgia, seguida de mastectomia e radioterapia, além de terapias específicas conforme as características do tumor.

A rapidez é decisiva. Quanto antes o diagnóstico é feito, maiores as chances de controle da doença. Conforme alerta Vinicius Rodrigues, qualquer alteração de pele na mama que não melhora em poucas semanas, especialmente fora do período de amamentação, deve ser levada a uma avaliação especializada, mesmo sem nódulo e mesmo em mulheres com mamografia recente normal.

Compartilhe este artigo